EUA sancionam empresas marítimas iranianas por usar Bitcoin para driblar restrições

- O Office of Foreign Assets Control sancionou duas empresas marítimas iranianas por driblar as sanções dos EUA aceitando pagamentos em Bitcoin.
- O Bitcoin surgiu como alternativa para que países sancionados viabilizem pagamentos internacionais, mesmo quando os métodos tradicionais estão bloqueados.
- A medida intensifica a pressão econômica sobre o Irã, dificultando o transporte de seu petróleo bruto e de produtos petroquímicos.
O Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Departamento do Tesouro dos EUA, sancionou recentemente 2 empresas iranianas. Os nomes incluídos na lista são Persian Gulf Marine Insurance Empresa e HormuzSafe Marine Services Authority.
A OFAC declarou que essas duas empresas marítimas iranianas eram parte integrante de uma rede de extorsão apoiada pelo CGRI. Essa rede é essencial para impor um “seguro” marítimo obrigatório para atravessar o Estreito de Ormuz.
A agência acusou as empresas de aceitar Bitcoin para driblar as sanções ocidentais e financiar as atividades do CGRI.
O anúncio da OFAC sobre as sanções recentes dos EUA
Em 29 de julho, a OFAC divulgou um comunicado à imprensa. Nele, acusou as duas empresas de fazerem parte de um “esquema de extorsão apoiado pelo CGRI”. Segundo a notificação, elas exigiam a contratação de seguro marítimo para cruzar o estreito.
Essas apólices de seguro cobrem riscos como a apreensão de embarcações e geram receita para financiar atividades ilegítimas.

Entre as empresas acusadas está a HormuzSafe, uma plataforma iraniana de seguros digitais. Ela oferece controle de tráfego, segurança e resposta a emergências para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz. A Persian Gulf Marine Insurance Empresa também está envolvida nos mesmos esquemas.
O departamento afirmou que o Ministério da Economia do Irã criou essas entidades para aceitar pagamentos em Bitcoin e driblar as sanções. O Irã pretendia assumir o controle de seu transporte marítimo regional ao impor esse seguro.
HormuzSafe e a Persian Gulf Marine Insurance Empresa agora estão no radar da OFAC por ajudarem a driblar sanções por meio do Bitcoin.
Por que muitas empresas sancionadas pelos EUA recorrem às criptomoedas?
As sanções dos EUA restringem o acesso aos sistemas financeiros globais tradicionais. Isso dificulta que os países realizem pagamentos internacionais.
Para enfrentar esse desafio, os países sancionados recorrem a métodos alternativos para viabilizar pagamentos transfronteiriços.
O Bitcoin é a opção preferida. Por operar em uma rede blockchain descentralizada, torna-se menos provável que seja rastreado.
O Irã está fazendo o mesmo. Segundo o anúncio oficial, o país criou esquemas de extorsão. Essas estratégias ajudam o regime a aceitar pagamentos em Bitcoin para driblar as sanções dos EUA.
O que isso significa para a indústria cripto?
As sanções cripto mais recentes contra o Irã destacam que as autoridades monitoram e rastreiam continuamente atividades cripto ilícitas usadas para driblar sanções dos EUA.
O comércio marítimo se tornou um ponto focal para as autoridades, já que o Estreito de Ormuz é um gargalo fundamental do comércio internacional. Ele viabiliza cerca de 25% do comércio de petróleo e GLP.
Segundo relatos, a OFAC já sancionou mais de 100 embarcações ligadas à rede de transporte marítimo ilegal do Irã neste ano. A autoridade também está reforçando os esforços militares dos EUA para conter as exportações internacionais de energia do Irã.
O caso evidencia as crescentes tensões geopolíticas em torno do comércio internacional e das criptomoedas. Os ativos digitais estão cada vez mais presentes nos debates regulatórios. Também levanta questões sobre as medidas de segurança e os casos de uso das tecnologias emergentes.
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