Liquidez é uma das palavras mais usadas e menos examinadas dos mercados. É tratada como sinônimo de volume, o que é conveniente e errado. Uma definição mais útil: liquidez é o custo de mudar de ideia. Se você consegue reverter uma posição rapidamente, em tamanho, sem mover muito o preço, o ativo é líquido. Se não consegue, não é — diga o que disser o número de volume.
Volume é atividade, profundidade é capacidade
Volume conta o que já foi negociado. Profundidade descreve o que está esperando para ser negociado: as ordens no livro em cada nível de preço, prontas para absorver uma ordem que chega.
Os dois se descolam com mais frequência do que se imagina. Um ativo pode registrar volume diário grande composto quase inteiramente de negócios pequenos ricocheteando entre os mesmos participantes, enquanto o livro atrás é fino o bastante para que uma única ordem relevante varra vários níveis. Volume é registro; profundidade é capacidade. Só um deles diz o que acontecerá quando você apertar o botão.
Onde o custo realmente aparece
Três componentes formam o custo real de um negócio, e apenas um é a taxa.
O primeiro é o spread — a diferença entre o melhor preço de compra e o de venda. Ao cruzá-lo, você já pagou algo antes de a posição fazer qualquer coisa.
O segundo é o impacto. Se sua ordem for maior do que o disponível no melhor preço, o restante executa em níveis piores. O preço médio obtido não é o preço cotado, e a diferença cresce mais rápido que o tamanho.
O terceiro é a fragmentação. O mesmo ativo é negociado em muitos lugares ao mesmo tempo, e a profundidade de um lugar não está disponível para uma ordem enviada a outro. Um número agregado soma liquidez que nenhuma ordem consegue de fato alcançar.
A propriedade que mais importa
Liquidez não é constante. É fornecida por participantes que decidem, a cada momento, quanto risco carregar — e eles se retiram quando a incerteza sobe. Esta é a parte incômoda: a profundidade afina exatamente quando a volatilidade dispara, que é exatamente quando mais se quer negociar.
Qualquer avaliação de liquidez feita num dia calmo é, portanto, otimista. A pergunta relevante não é quanta profundidade há agora, mas quanta havia da última vez que o mercado se moveu com violência. Esse número é mais difícil de achar e mais honesto.
Na prática
Alguns hábitos ajudam. Compare profundidade em vez de volume. Olhe quanto custaria uma ordem realista em vez do spread de manchete. Trate a concentração numa única plataforma como risco em si, porque é. E desconfie de qualquer afirmação sobre liquidez que não tenha passado por um dia ruim.
Nosso glossário cobre liquidez e o livro de ofertas em mais detalhe, e a página de mercados traz volumes ao vivo — para ler junto às ressalvas acima, não no lugar delas. Isto é informação, não consultoria.